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Empréstimo com garantia de imóvel tem juro menor e prazo alongado

Por: O Estado de S. Paulo

Em tempo de crédito escasso nos bancos, linha conhecida como ‘home equity’ atrai principalmente pequenos empresários em busca de capital

Contratar um empréstimo em 2015 ficou mais difícil e mais caro. Diante da crise econômica e do risco maior de inadimplência, os bancos frearam a concessão de crédito e, quando emprestam, cobram um preço alto. Como forma de diminuir os riscos nas operações – e, consequentemente, as taxas de juros –, instituições financeiras estão incentivando uma linha de crédito ainda pouco usada no Brasil, na qual o cliente dá um imóvel próprio como garantia do financiamento.

Chamada de “home equity”, essa modalidade oferece os menores juros e os maiores prazos de pagamento entre todas as linhas de crédito pessoal no mercado. De acordo com o Banco Central, em média, o juro do home equity está em 1,44% ao mês (18,7% ao ano), enquanto em agosto a taxa para empréstimo pessoal chegou a 62,9% ao ano em bancos e a 144% em financiadoras, segundo pesquisa da Anefac.

O valor médio do financiamento na modalidade home equity é de R$ 112,6 mil, segundo o BC, que autoriza o empréstimo de até 60% do preço de avaliação do imóvel. O prazo para pagamento também é bastante alongado: em média, são 13 anos, mas alguns bancos parcelam em até 20 (veja lista abaixo).

Segundo o diretor comercial de crédito do Banco Intermedium, Marco Túlio Guimarães, nunca a demanda foi tão forte. “No entanto, estamos trabalhando de uma forma mais conservadora para atravessar esse período conturbado da economia. Limitamos o financiamento a 50% do valor do imóvel, mas nossa média é de 33%”, conta. Apesar disso, o tíquete médio está em R$ 230 mil.

Como os empréstimos são de valores elevados, essa linha de crédito tem sido muito procurada por pequenos e médios empresários que encontram dificuldades para contratar financiamentos como pessoa jurídica. Segundo o diretor de crédito imobiliário do Banco do Brasil, Hamilton Rodrigues da Silva, além de empreendedores, pessoas com a renda muito comprometida por dívidas também se encaixam no perfil.

Apesar do juro baixo, a procura pelo home equity ainda é tímida porque o brasileiro tem receio em dar o imóvel como garantia. “Vejo como uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse tipo de crédito é muito mais comum”, diz Silva. Para incentivar a modalidade, o BB está investindo em divulgação. “Essa linha tem sido mais procurada neste ano, mas ainda está muito aquém do seu potencial de crescimento.”

O contador Raimundo Batista, de 58 anos, não conhecia o home equity até receber uma propaganda no e-mail. Endividado com um empréstimo e com as contas da festa de casamento da filha, ele contratou o financiamento na Domus Companhia Hipotecária a uma taxa mensal de 1,19% em dez anos. “Existe o risco de entregar sua casa se não pagar, mas pretendo quitar o financiamento antes do prazo final”, diz.

Mesmo com a garantia do imóvel, em caso de inadimplência, as instituições financeiras preferem, primeiro, tentar renegociar a dívida, para só em último caso tomar o imóvel. “Quando o cliente percebe que está prestes a perder o imóvel, dá um jeito de pagar”, conta Guimarães. A inadimplência (acima de 90 dias) no Banco Intermedium está em 3,8% e tem se mantido estável neste ano. A inadimplência geral, segundo dados do BC, subiu para 4,8% em julho, maior patamar desde julho de 2013.

Vale destacar que, antes de contratar o financiamento, é importante pesquisar as taxas de avaliação do imóvel e os custos com cartório, que ultrapassam R$ 2 mil. O diretor da Empírica Investimentos, Roberto Sampaio, lembra que, quanto maior o valor financiado, mais esses custos fixos ficam diluídos.

TAXAS E CONDIÇÕES POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA

Banco do Brasil

Taxa de juros: De 1,75% até 2,20% ao mês

Prazo do financiamento: Até 15 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel

Custo de avaliação do imóvel*: R$ 2.500,00

Caixa Econômica Federal

Taxa de juros: De 1,27% ao mês + TR até 1,66% ao mês + TR

Prazo do financiamento: Até 20 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Valor mínimo de empréstimo de R$ 20 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.200,00

Bradesco

Taxa de juros: A partir de 1,80% ao mês

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel

Custo de avaliação do imóvel: Banco não divulga

Itaú Unibanco

Taxa de juros: Banco não divulga

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 50% do valor do imóvel. Financia até R$ 3 milhões

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.850,00

Santander

Taxa de juros: De 1,47% a 1,79% ao mês

Prazo do financiamento: Até 15 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Empréstimo de R$ 30 mil até R$ 2 milhões

Custo de avaliação do imóvel: R$ 1.490,00

Banco Intermedium

Taxa de juros: 1,45% ao mês, mais IGP-M

Prazo do financiamento: Até 10 anos

Quanto financia: Até 50% do valor do imóvel. Empréstimos a partir de R$ 50 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.200,00

Pan Sua Casa (Banco Pan)

Taxa de juros: 1,16% ao mês, mais IGP-M

Prazo do financiamento: Até 20 anos

Quanto financia: Até 60% do valor do imóvel. Empréstimos a partir de R$ 50 mil

Custo de avaliação do imóvel: R$ 2.480,00

*SOMA-SE A ESSE CUSTO O VALOR PARA REGISTRO DO CONTRATO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS CUJO PREÇO DEPENDE DA TABELA DE CADA ESTADO

Refinanciamento de veículo é opção para endividado

Enquanto o home equity é mais indicado para quem precisa de uma grande quantia de dinheiro – como para empreender ou estudar no exterior –, o refinanciamento do veículo pode ser uma saída para dívidas menores. O processo de liberação de crédito é mais ágil e os juros são mais moderados. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece uma taxa a partir de 1,82% ao mês (24% ao ano) e financia até 70% do valor do veículo no prazo máximo de 60 meses. A taxa de juros é bem menor que a do rotativo do cartão de crédito, que chegou a 350,79% ao ano em agosto, segundo pesquisa da Anefac.  

Antes de contratar o empréstimo, no entanto, é indicado considerar se o veículo é essencial. Se não for, a melhor opção é vendê-lo: além dos juros do financiamento, há custos de manutenção, seguro, combustível e a própria desvalorização do bem.