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Taxa de desemprego na construção civil aumentou 6,7% no segundo trimestre, diz IBGE

Setor registrou o fechamento de 509 mil vagas na comparação com o trimestre anterior.A taxa de desemprego na construção civil aumentou 6,7% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, com o fechamento de 509 mil vagas, e 8,6% na comparação com o mesmo período de 2014, com corte de 673 mil vagas. Os dados são da pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).Para o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), o aumento da taxa de desemprego confirma a piora do cenário para a indústria da construção e a sua disseminação entre os diversos segmentos da cadeia."Estes dados demonstram a urgência de o governo redirecionar os escassos recursos de que dispõe para os setores que, como a construção civil, dispõem de forte potencial de geração de emprego. Isto significa priorizar os pagamentos que continuam em atraso do PAC e do Programa Minha Casa, Minha Vida, bem como agilizar as concessões de serviços de infraestrutura que resultarão em novas rodovias, aeroportos, portos e ferrovias", comenta o presidente da entidade, José Romeu Ferraz Neto.Como as demissões no mercado formal têm crescido progressivamente desde outubro do ano passado, o SindusCon-SP estima um corte de 475 mil empregos na construção brasileira em 2015.BrasilO desemprego no Brasil registrou taxa de 8,3% no segundo trimestre de 2015 contra 7,9% registrados no primeiro trimestre. O resultado é o pior desde o início da série histórica, em 2012. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa que engloba todos os setores foi de 6,8%.Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a população desocupada, de 8,4 milhões de pessoas, subiu 5,3% em relação ao primeiro trimestre e 23,5% ante o 2º trimestre de 2014.Já a população ocupada foi estimada em 92,2 milhões, resultado estável frente ao primeiro trimestre e ao mesmo período de 2014. Segundo o IBGE, 78,1% dos empregados no setor privado tinham carteira de trabalho assinada, também representando estabilidade em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2014.

27 de agosto de 2015

A casa caiu para as construtoras? Impactos com alterações no FGTS chegarão em 2018

Os impactos com a mudança na remuneração do FGTS serão mais “suaves” do que as construtoras pensaram no início, mas nem por isso não devem ser motivo de preocupação. Embora os efeitos mais pesados devam ser sentidos a partir de 2018, ontem algumas das ações mais expostas ao risco - ou seja, aquelas voltadas a baixa renda - foram pressionadas na Bolsa, caso da MRV (MRVE3), que chegou a cair 4% na mínima do dia e fechou em queda de 0,74%. Direcional (DIRR3) e Gafisa (GFSA3) também foram afetadas, a primeira chegou a recuar 6% e fechou em queda de 5,7%, já a Gafisa chegou a cair 2,6%, mas fechou em leve alta de 0,4%.O movimento ocorreu após a Câmara dos Deputados aprovar, na noite da terça-feira (18), as alterações na remuneração do FGTS (Fundo de Garantia de Tempo de Serviço), que vai aumentar a TR (taxa Referencial), atualmente em 3% ano. A elevação, no entanto, veio de forma mais suave do que se esperava, o que trouxe um sentimento mais neutro para o curto prazo. O aumento vai acontecer de maneira escalonada, começando com 4% em 2016, 4,75% em 2017, 5,5% em 2018 e a partir de 2019, 6,17%, o mesmo que os depósitos de poupança.A mudança foi menos grave do que o estimado, já que será feita de forma escalonada. Por conta disso, o BTG Pactual acredita que, no curto prazo, os impactos serão “insignificantes”, citando ainda o fato de que o “Minha Casa, Minha Vida” receberá 60% dos lucros do FGTS como subsídio. Mas a partir de 2018 os efeitos sentidos poderão ser mais negativos para as construtoras de baixa renda como MRV, Gafisa e Direcional, já que aumenta em quase 30% os pagamentos médios de hipoteca, o que reduz a elegibilidade de quem pretender financiar a casa, e aumenta a taxa de empréstimos, dificultando a adaptação aos novos critérios pelos compradores das casas.As alterações ainda serão votadas, e podem ser alteradas, pelo Senado e pela presidente Dilma Rousseff (PT). Para o BTG, a proposta pode ser vista como um “péssimo cenário” para as construtoras brasileiras, considerando que tanto o Senado quanto a presidente, reiteraram seu apoio ao programa “Minha Casa, Minha Vida”, cuja parte do fundo de subsídio é o FGTS.

26 de agosto de 2015

Contratos de aluguel de imóveis em SP ficam mais baratos em julho

Os contratos de aluguel residencial assinados no mês de julho ficaram, em média, 1% mais baratos em comparação com os contratos fechados no mês anterior, segundo pesquisa do sindicato da habitação (Secovi).Em relação à situação de 12 meses atrás, os valores de locação recuaram 1,8%. No mesmo período, a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acumulou alta de 6,97%.“Tem aumentado, nos últimos meses, a diferença entre a variação do aluguel e o IGP-M. E pode aumentar ainda mais, se a inflação continuar subindo”, avalia Mark Turnbull, diretor de Locação do Secovi-SP, por meio de nota.Os imóveis de três dormitórios tiveram a maior queda de preço, de 1,4%, no mês de julho, frente a junho. Na sequência, estão os imóveis de dois quartos, com recuo de 1,1% e os de um dormitório, com baixa de 0,6%.O tipo mais usado de garantia locatícia foi o fiador, responsável por 46,5% dos aluguéis contratados.

25 de agosto de 2015

Alugar vale a pena.

Quando José e Maria se casaram, não puderam comprar um imóvel. Passaram uns tempos na casa dos pais de Maria e depois alugaram um apartamento, em busca de espaço e privacidade. Disciplinados, pouparam com o objetivo de, um dia, realizar o sonho da casa própria. Com caixa para dar uma boa entrada na compra de um imóvel, precisam tomar uma decisão importante: comprar ou continuar pagando aluguel. Não seria uma decisão simples mesmo que houvesse consenso entre os dois. Não é o caso aqui; aspectos importantes e sensatos para José não fazem sentido para Maria.DINHEIROHoje a reserva financeira de R$ 250 mil rende juros líquidos suficientes para o aluguel de R$ 2.000 e ainda sobram R$ 250. Se comprarem um imóvel de R$ 500 mil, a entrada virá do dinheiro guardado mais um financiamento de R$ 250 mil, com prestação de cerca de R$ 3.250.Deixariam de pagar aluguel, mas também deixam de receber os juros da aplicação; a despesa mensal cresceria em R$ 1.500/mês (prestação maior que o aluguel em R$ 1.250 mais R$ 250 que não sobram mais). Maria já está procurando a casa dos seus sonhos.José simula a hipótese de continuar pagando aluguel e acelerar a poupança mensal com os R$ 1.500 que seriam aplicados, em vez de ir para o financiamento. Em 30 anos, com juro real líquido de 0,3% ao mês, terão R$ 970.000, mais o dinheiro da entrada, que subiu para R$ 735.000. Adora pensar que o aluguel será pago com parte dos juros, que sobra dinheiro para engordar o orçamento e que a aplicação continuará gerando renda para sempre. Interessante, não? José precisa convencer Maria de que podem tirar vantagem dessa oportunidade financeira.MORO ONDE QUEROA profissão de José requer mudanças frequentes; o casal já morou em quatro cidades. Como pode ser transferido a qualquer momento, não quer criar raízes. Morar de aluguel é uma decisão sábia, considerando a complexidade, o tempo e os custos envolvidos em operações de compra e venda de imóveis. Quem mora em imóvel alugado pode morar sempre em uma casa novinha, localizada onde for conveniente para a família, em razão da escola e do trabalho.DESVALORIZOU, RISCO DO DONOPreocupado com boatos sobre a construção de um viaduto perto da casa onde mora? O imóvel pode se desvalorizar e você terá de vendê-lo para a prefeitura em caso de desapropriação. Diante de uma situação como essa, é melhor a condição de inquilino que a de proprietário, pois se pode mudar para outro imóvel e deixar o problema para o dono.O DONO PAGA A MANUTENÇÃOAs despesas de manutenção da casa própria são eternas. O proprietário nunca se livra da necessidade de consertar, reformar, modernizar. Morar de aluguel é uma maneira tranquila de se libertar do problema e das despesas decorrentes. Cabe ao proprietário, e não ao inquilino, custear as despesas de manutenção.RECEITA OU DESPESAA casa própria é uma propriedade que gera despesa para o resto da vida. Para José, é como pagar aluguel para morar em um imóvel que é seu. Ele prefere deixar o dinheiro em uma aplicação que paga juros e põe dinheiro no bolso para ajudar a pagar as contas e viver com mais conforto. Maria prefere valorizar a segurança e a tranquilidade de morar numa casa que pode chamar de sua.DICAS QUE VALEM DINHEIRO1 - Alugar um imóvel e manter o dinheiro investido requer disciplina. Embora disponível, o dinheiro não pode ser gasto. Mantenha em aplicações de baixo risco, com o objetivo de gerar renda2 - Alugar um imóvel antes de comprar é uma boa estratégia para testar se o bairro e o imóvel em si são, de fato, a melhor escolha para a família3 - Quando o mercado imobiliário está muito aquecido, a redução do preço do metro quadrado pode vir logo a seguir. Alugar enquanto o mercado se acomoda pode ser uma boa estratégia4 - Cuidado para não dilapidar seu patrimônio. Saque somente parte dos juros para pagar o aluguel. Guarde um pouco para repor perdas da inflação e pagar o IR.

24 de agosto de 2015

Imóveis mobiliados: um mercado em expansão

Adquirir um imóvel já mobiliado pode ser uma boa opção para quem quer economizar tempo e dinheiro. No entanto, é necessário abrir mão da exclusividade, já que não é possível opinar sobre a decoração do novo lar. Em uma pesquisa realizada no site da Rede Netimóveis, aproximadamente 5,5% dos imóveis disponíveis para locação são mobiliados. Na Betha Espaço o número é maior: cerca de 10% da carteira de imóveis oferecidos estão nessas condições.De acordo com a Gerente de Locação da Betha Espaço de Vitória, Roberta Martins, o perfil de pessoas que buscam esses imóveis são jovens solteiros ou profissionais e famílias que se mudam para o estado a trabalho e não têm a certeza de que vão se estabelecer aqui. “Os imóveis, quando mobiliados, têm um aumento no valor da locação de acordo com os objetos que consta. Temos apartamentos totalmente mobiliados, dos móveis à objetos de decoração, ou apartamentos semi-mobiliados, com apenas os itens básicos. É uma opção que traz até economia, para quem prevê outras mudanças, casamentos e compra de imóveis”, destaca.O analista de sistemas Diego Soares Rodrigues, 23 anos, mora em república e, segundo ele, a mobília é o grande atrativo para o público jovem que chega à capital para estudar e trabalhar. "Acabei de alugar um imóvel mobiliado e para quem vem de fora este é um ponto relevante na hora de fechar o negócio. Minha escolha foi baseada no melhor custo benefício, pois já que não possuo imóveis, um apartamento já com a mobília básica pouparia o trabalho de ter que comprá-la. Outro motivo é dificuldade para mudança, onde os móveis podem ser danificados ou inutilizados”, afirma.Além dos itens básicos, é possível encontrar imóveis com eletrodomésticos, utensílios de cozinha e até objetos de decoração. Segundo Roberta, é necessário observar alguns pontos antes de fechar o negócio. "É importante que o dono do imóvel e o inquilino elaborem juntos um laudo descritivo do imóvel para anexar ao contrato, descrevendo o estado dos móveis. Além disso, é importante retirar objetos caros ou com valor afetivo, pois qualquer acidente pode ser irremediável e, é claro, fazer uma vistoria antes e depois da entrega das chaves", ressalta.

21 de agosto de 2015

Lançamentos de imóveis caem 16% no 2º trimestre

São Paulo - Os lançamentos de imóveis atingiram 14,6 mil unidades no período de abril a junho deste ano, que corresponde a uma queda de 16% frente ao mesmo trimestre do ano passado, de acordo com estudo divulgado nesta quarta-feira, 19, pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em conjunto com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).Na comparação com a média de um período de três meses encerrado em maio, no entanto, houve alta de 20%. O levantamento engloba as associadas da Abrainc em território nacional.As unidades vendidas no segundo trimestre deste ano somaram 25,7 mil, com queda de 17% ante igual período do ano passado. Na relação com os três meses até maio, a baixa foi de 5%.O estudo também mostrou que foram entregues 31,6 mil unidades no período de abril a junho, com aumento de 5% na relação anual e de 3% contra o trimestre encerrado em maio. Lançada nesta quarta-feira, a pesquisa foi feita junto a empresas associadas à Abrainc em todo o país.No segundo trimestre, foram vendidos o equivalente a 22,8% da oferta do período, resultado 2,7 pontos porcentuais menor do que o registrado nos três meses encerrados em junho de 2014 e queda de 2,2 pontos porcentuais frente ao trimestre findo em maio.No fim do período, 99 mil unidades estavam disponíveis no mercado para compra, considerando as empresas pesquisadas, de acordo com o estudo. Ao ritmo do trimestre, seriam necessários 13,2 meses para vender toda a oferta atual, frente 11,8 meses em igual período do ano passado.CaloteA Fipe e a Abrainc também mediram a taxa de inadimplência potencial entre as empresas associadas. Essa taxa mede a exposição máxima da carteira das incorporadoras no caso de os clientes atualmente inadimplentes não realizarem mais nenhum pagamento.No trimestre fechado em junho, essa taxa foi de 9,2%, na esteira da sétima elevação consecutiva. Em novembro de 2014, a taxa estava em 7,2%, enquanto em maio havia ficado em 9,1%. Em junho do ano passado, a taxa estava em 8,0%.No semestre, houve uma queda de 20% nas unidades lançadas frente a igual período do ano passado, enquanto as vendas recuaram 14% e a oferta de imóveis caiu 3%.

20 de agosto de 2015

Medo de desemprego e crédito caro fazem crescer devolução de imóvel

Com rescisão do contrato, comprador pode aguardar condição mais favorável de financiamento; multa, contudo, pode chegar a 20% do valor pagoAs incertezas que pairam na economia fizeram aumentar a rescisão de contratos de imóveis adquiridos na planta. Com o distrato, nome pelo qual a operação é conhecida, o consumidor tem o direito de receber boa parte do que já pagou e traçar outra estratégia para comprar a casa própria.Especialistas do setor afirmam que o distrato tem crescido em função do aumento das demissões, do medo de perder o emprego e das restrições de crédito.Na Associação Brasileira dos Mutuários de Habitação (ABMH), cresceu o número de interessados na operação. No primeiro semestre, 1.839 consumidores procuraram a entidade para buscar esclarecimentos. O número representa 25% do total de demandas, contra uma média de 8% em 2014.Segundo o presidente da ABMH, Lúcio de Queiroz Delfino, 90% dos consumidores que procuram a entidade acabam optando pela rescisão do contrato.Especialista em direito imobiliário, Marcelo Tapai relata que a procura pelo distrato é grande entre os funcionários dos setores mais afetados pela crise, como as montadoras, em São Paulo, e o setor de petróleo e gás, no Rio de Janeiro.Tapai afirma que seu escritório recebeu 338 processos no primeiro semestre contra construtoras. Destes, 67% diziam respeito ao distrato, contra um porcentual de 38% no ano passado. Antes, ele diz, o atraso nas obras respondia pela maior parte das ações.Devolução. Ao comprar um imóvel na planta, o consumidor precisa dar um valor de entrada e negociar mais algum tipo de pagamento mensal.Lá na frente, quando o empreendimento estiver pronto, o comprador terá de usar recursos próprios, financiamento bancário ou consórcio para, de fato, receber as chaves.E é aí que começam os problemas. O reajuste do saldo devedor no período, feito em geral pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), pode tornar o valor da parcela impraticável. Ou, quando vai à procura de crédito, o consumidor não consegue uma proposta que caiba no orçamento. "Com o reajuste, a dívida acaba superando o valor original do imóvel", afirma Delfino.Se optar pela devolução, o comprador precisa ficar atento para não fechar um mau negócio. Já é consenso na Justiça que as construtoras podem aplicar uma multa de 10% a 15% sobre o valor pago, diz Tapai. Para Delfino, da ABMH, o porcentual pode chegar a 20%.O comprador pode ser reembolsado em 100% se a entrega do imóvel atrasar, se houver erro de construção ou se a unidade for diferente do anunciado quando o negócio foi fechado.Antes, com o boom do preço dos imóveis e o mercado mais aquecido, era mais fácil repassar a dívida para outro comprador. Agora, a barganha é uma das opções. Com o dinheiro em mãos, a pessoa pode aguardar condições mais favoráveis de financiamento ou partir para a compra de outra unidade mais em conta."As construtoras não facilitam e o consumidor acaba aceitando qualquer oferta", afirma Tapai. De acordo com ele, a via judicial acaba sendo o meio mais comum de se conseguir um reembolso vantajoso. Em São Paulo, afirma ele, os processos sobre o tema demoram hoje um ano e meio, em média, para serem concluídos.Para Delfino, tentar uma solução dentro da própria construtora pode ser mais rápido. "A primeira questão é refletir se é preciso mesmo rescindir o contrato", afirma. "O consumidor que não tem condições de pagar o financiamento pode partir para outra unidade, numa localização com o preço do metro quadrado mais barato, ou às vezes no mesmo empreendimento", diz.Nas construtoras, também há uma sinalização de que essa tendência é crescente. No ano passado, 12 incorporadoras somaram um volume distratado de R$ 6,8 bilhões, ou o equivalente a 30% das entregas, de acordo com a agência Fitch.

19 de agosto de 2015

Quer comprar a casa própria? Então é hora de barganhar

Preços pararam de subir, mas crédito está mais caro e restrito: a saída é negociar com bancos, incorporadoras e proprietários e tentar engordar ao máximo a entrada do financiamentoO consumidor que está em busca da casa própria enfrenta uma situação inédita na história recente do País: os preços dos imóveis pararam de subir e, em algumas cidades, já há queda. Ao mesmo tempo, os bancos passaram a financiar uma parcela menor do valor do bem e subiram as taxas de juros.O cenário, portanto, é ao mesmo tempo interessante, do ponto de vista do negócio, e restritivo, pela lado do financiamento. Os especialistas em finanças pessoais são unânimes: o momento é de barganhar. Um bom e longo relacionamento com o banco deve ajudar o cliente a negociar juros menores. Já a desaceleração do setor e os estoques cada vez maiores ajudarão nos descontos com incorporadoras ou proprietários."O mercado está desaquecido, logo há menos pessoas querendo comprar. Se o consumidor já tem uma poupança para dar entrada, há condições melhores para ter poder de barganha", afirma Pedro de Seixas, professor de MBAs da FGV.O professor de finanças do Ibmec/RJ Nelson de Sousa reforça a tese e diz que quanto maior for a entrada, melhores são as chances de conseguir um negócio mais atraente. "Se você comprou um imóvel de R$ 500 mil e deu entrada de R$ 300 mil, você é um cliente com menos risco para o agente financeiro. Ou seja, já pagou muito e tem muito a perder se não honrar o financiamento. Então é possível negociar descontos", afirma.Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), entre compradores do site de classificados Zap, mostra que já há uma tendência maior de barganha nos preços. Em março, o desconto médio informado sobre os negócios realizados nos últimos doze meses foi de 7,5%, ante uma média de 7% desde 2013.Além disso, o indicador de preços FipeZap aponta que, em 20 cidades brasileiras, o metro quadrado dos imóveis acumula alta de 1,08% nos primeiros quatro meses de 2015. Descontada a inflação, o preço médio registra uma queda de 3,47% no período.Cuidados. Créditos de longo prazo como o imobiliário, no entanto, exigem cálculo cuidadoso, porque o comprador vai carregar essa dívida por décadas. Quanto maior for o valor financiado, mais juros o consumidor vai pagar ao longo do tempo.Nesse esforço para abater a maior parte da dívida que for possível,  o consumidor pode até avaliar a venda de algum bem. Um veículo, por exemplo, pode ser vendido para compor o valor da entrada. "O consumidor deve levar em conta se o valor do automóvel é significativo em relação ao valor do imóvel", diz Sousa.O professor do Ibmec/RJ também ressalta que os bancos têm um limite na redução dos juros. "A taxa talvez não mude tanto, mas é possível conseguir mais facilidades no financiamento", diz.Escassez de crédito. O freio no financiamento imobiliário foi gerado pelos fortes saques da poupança, uma das principais fontes de recursos do setor. A Caixa Econômica Federal derrubou o limite dos financiamentos e subiu duas vezes os juros. O movimento de alta das taxas foi seguido pelo Banco do Brasil e pelas instituições financeiras privadas.

19 de agosto de 2015