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https://exame.abril.com.br - 14/08/2018


Brasília/São Paulo – O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta terça-feira uma série de medidas para incentivar a concessão de crédito imobiliário no país, prevendo injeção de cerca de 80 bilhões de reais no mercado.


Em uma frente, o governo manteve o direcionamento mínimo de 65 por cento dos recursos captados em poupança para operações de financiamento imobiliário, mas deixou de estabelecer que 80 por cento desses recursos destinem-se obrigatoriamente a operações contratadas nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Segundo nota do Banco Central, a alteração passará a incentivar a contratação de imóveis de menor valor.


“Nesse caso, os bancos que concederem financiamentos de imóveis com valor de avaliação de até 500 mil reais poderão aplicar fator de multiplicação de 1,2”, afirmou o BC.O governo também tornou definitiva a ampliou para 1,5 milhão de reais, sobre 950 mil reais, o limite de valor de avaliação do imóvel financiado no âmbito do SFH, teto que valerá para todo o país.


Segundo o diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso, a medida beneficia também quem fizer empréstimos sob as condições do SFH, que permite a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Trabalho (FGTS) que o mutuário eventualmente tem para amortizar o financiamento.


A Reuters informou mais cedo que o governo anunciaria a medida aumentando o teto do valor dos imóveis para financiamento.


De acordo com o BC, a estimada injeção de 80 bilhões de reais ao direcionamento de crédito imobiliário se dará pela substituição de operações atualmente permitidas no direcionamento pela contratação de novas operações de financiamento imobiliário. O BC afirmou que esse efeito será gradual e terá início em janeiro de 2019, estendendo-se pelos próximos seis anos.


Novo teto


A elevação do teto para financiamentos no âmbito do SFH foi bem recebida por participantes do mercado, que acreditam que poderá haver a retomada de lançamentos de empreendimentos.


“Isso é muito importante porque os preços dos imóveis tiveram correção”, disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, acrescentando que o novo teto é alto e deve ajudar incorporadoras a venderem mais, o que permitirá a retomada dos lançamentos.


Em nota a clientes, a equipe do BTG Pactual entende que a medida beneficiará sobretudo as construtoras de imóveis de alto padrão, incluindo Cyrela e Even, que possuem alavancagem mais baixa que a média do setor e estoques altos.


“Dito isso, vale lembrar que esse teto de 1,5 milhão de reais por unidade estava em vigor no ano passado e (mesmo assim), o setor teve uma performance muito mal”, comentou a equipe do BTG na nota.


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