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Jornal da Tarde - 15/10/2010


Os brasileiros gastaram até 43,9% a mais com consórcios em agosto deste ano em comparação com o mesmo mês de 2009. O maior aumento foi constatado no setor de eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, cujo valor médio desembolsado subiu de R$ 2.648 para R$ 3.811, conforme a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).


A explicação para a alta está relacionada com a mudança do estilo de compra do consumidor. Na opinião do presidente executivo da Abac, Paulo Roberto Rossi, antigamente as pessoas utilizavam o crédito do consórcio para a compra de apenas um produto. “Hoje, o consumidor opta por um tíquete médio maior para comprar um conjunto de produtos”, explica.


Outro fator que contribui para o crescimento do valor médio gasto no setor é a evolução tecnológica dos produtos oferecidos pelo mercado. “Cada vez mais temos novos modelos, novas tecnologias e produtos mais sofisticados que acabam despertando o interesse do consumidor”, destaca o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Keyler Carvalho Rocha.


A segunda maior alta, de 19,29%, foi registrada no consórcio de imóveis. O valor médio saltou de R$ 83.032 para R$ 99.053, reflexo do aquecimento imobiliário registrado no País. “O consumidor teve que se adaptar à nova realidade e buscar um crédito maior que permita comprar um imóvel no local que esteja planejando”, explica o presidente da Abac.


O valor médio do consórcio de veículos passou de R$ 37.087 para R$ 39.973, um aumento de 7,78%. Já o de motocicletas se manteve praticamente estável: R$ 10.056 para R$ 10.164.


Para o professor da FIA, uma explicação para a alta do valor de motos não ter acompanhado a dos veículos pode estar relacionado com a finalidade da compra. No primeiro caso, o consumidor, geralmente, compra a motocicleta para ser usada no trabalho, sem grandes ostentações. Já o caso dos veículos envolve status social. “Em alguns casos, as pessoas buscam a troca por um veículo melhor ou até para presentear um filho, por exemplo”, diz Rocha.


Outro setor que sofreu pouca alteração foi o de serviços. O valor médio em 2009 era de R$ 6.936 e caiu para R$ 6.928 em 2010. Segundo Rossi, esse é um segmento novo, que entrou em vigor no começo de 2009. “Tanto o consumidor quanto as administradoras estão se acostumando com a nova modalidade e avaliando quais sãos as principais demandas”, alega.


O consórcio de serviços envolve desde viagens, tratamentos dentários a festas de casamentos.


Quem planeja aderir a um consórcio deve observar a necessidade do produto ou serviço. “O consórcio é vantajoso para quem não precisa do bem imediatamente”, orienta Rossi.


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